quinta-feira, 12 de abril de 2018

Ponto Gatilho: Como Liberar E Aliviar A Dor

Quer entender mais sobre o que é um ponto gatilho e como ele funciona?



ponto gatilho e dor

O que é um ponto gatilho?

O ponto gatilho é um pequeno nódulo que podemos encontrar nas fáscias, músculos ou tendões que estão irritados. A irritação gera tensão nessa pequena região, fazendo com que a musculatura fique tensionada.

Esses pontos geram um sintoma bastante problemático: a dor, sua principal característica é uma dor que pode ser localizada ou irradiar para outras regiões.

Ele está inclusive entre as causas mais encontradas em casos de dor musculoesquelética, portanto merece toda a sua atenção.

Não se engane pensando que a dor é o único ponto ruim desses nódulos. Eles também geram um aumento da quantidade de íons de substâncias químicas nocivas para a musculatura. Devido à tensão exagerada o fluxo de sangue também diminui gerando mais irritação.

Um paciente que sofra de patologias que já causam dor pode ter seu quadro piorado devido a existência de pontos de tensão em sua musculatura.

Além da dor o ponto gatilho também pode causar perda de mobilidade e rigidez excessiva.

Infelizmente toda a população está sujeita a esses pontos gatilhos. Podemos encontra-los em qualquer um de nossos pacientes, desde jovens a idosos, assim como em qualquer gênero.
Causas do ponto gatilho



Existem diversas causas para que o ponto gatilho apareça, por isso sempre recomendo que você avalie cada paciente individualmente para descobrir qual foi a verdadeira origem.

Algumas das causas incluem:
Trauma direto;
Estresse;
Esforço repetitivo;
Excesso de movimento;
Falta de movimento.

Também existem fatores externos que influenciam e podem causar o ponto gatilho. Uma postura ruim adotada durante muito tempo, por exemplo, consegue deixar a musculatura tão tensionada que gera um ponto.

E quem acha que atletas e pessoas que se exercitam com regularidade estão livres de qualquer mau está muito errado. Na verdade, eles têm uma forte tendência a desenvolver pontos gatilhos, especialmente quando exageram e aumentam muito a carga dos exercícios. Um músculo sobrecarregado pode sim desenvolver um nódulo de tensão.

Assim que surge o ponto gatilho em alguma musculatura a pessoa entra num ciclo. A tensão gerada pelo ponto cria dor, que gera mais estresse.

Dá uma olhadinha na listinha aqui em cima, o estresse também é um dos causadores dos pontos, certo? Ou seja, mais pontos gatilhos aparecem, levando a mais dor, mais estresse e assim por diante.

De acordo com estudos os pontos gatilhos são frequentemente esquecidos nos tratamentos de dor musculoesquelética, mesmo estando entre as principais causas. Seu principal papel nisso tudo é cortar esse ciclo, porque ele está prejudicando e muito seu paciente.
Tipos



Conseguimos dividir os pontos gatilhos em dois tipos de acordo com a dor: o latente e o ativo.
Latente

Esses são os mais difíceis de localizar. Apesar de existir tensão no local o ponto gatilho latente não causa dor, ou seja, não incomoda. Por isso é fácil de esquecer que ele existe e precisa ser tratado também.

Mesmo que a dor esteja ausente nesse tipo, ele também causa problemas e desconfortos devido a tensão.

Geralmente pessoas que apresentam pontos gatilhos latentes têm problemas relacionados a disfunções motoras como falta de mobilidade, rigidez e amplitude de movimentos restrita.

“Se ele não causa dor, como descubro onde está o ponto gatilho latente?”

Em situações normais ele realmente é completamente indolor. Porém quando apalpado o ponto se torna bastante dolorido, assim como o ativo. Outros fatores podem levar a ativação desse ponto como sobrecarga, fadiga ou lesão, criando o quadro de dor e desconforto.

Estima-se que esse tipo de ponto afete quase metade da população adulta. Como eles não causam dor em situações normais a avaliação torna-se ainda mais importante para garantir a melhor solução a seus pacientes.
Ativo

Os pontos ativos são os que geram dor. Como o desconforto é muito maior é mais fácil de localiza-los. O paciente precisa de alívio da dor para que o tratamento tenha eficiência, portanto primeiro tente aliviar a dor.

Preste atenção nos sintomas apresentados por seu paciente. A dor do ponto gatilho varia muito, pode ser somente um leve incômodo ou algo tão forte que limita completamente os movimentos.
Dor referida

A dor é um sinal de que existe algo errado no corpo, já sabemos disso. No caso dos pontos gatilhos ela indica onde eles estão localizados, mas nem sempre ela para neles.

Existe algo que chamamos de dor referida extremamente comum nos pontos. Quando a dor se espalha do ponto e chega a outro lugar ela é referida e precisamos tomar muito cuidado com pontos desse tipo.

Como o sintoma passou para outra região que não é o ponto gatilho é fácil para o paciente ou até um profissional desavisado confundir com outros problemas.

Não se engane, não é porque a origem da dor está naquela região de tensão que você pode ignorar as áreas que ela influencia. Lembre-se sempre do ciclo da dor que gera mais estresse e tensão. Ou seja, a região afetada pela dor referida também precisa de tratamento.
Tratamento



O ponto gatilho é responsável por quadros de dor bastante incômodos para seu paciente. Portanto, antes de começar na patologia ou no problema que ele procura resolver você precisa tratar o ponto gatilho.
Devo alongar alunos com ponto gatilho?

O alongamento leve maneira de começar a aula e promover um relaxamento principalmente no final da aula ou treino, mas tome cuidado. Quando existem pontos gatilhos, especialmente aqueles que estão muito ativos, ela é capaz de piorar a situação.

Para um exemplo de como o alongamento pode piorar o ponto gatilho use um elástico. Pegue ele nas mãos e dê um pequeno nó no meio, essa é a musculatura afetada por um nódulo de tensão. Agora segure as extremidades e estique o elástico bastante.

O que aconteceu? O nó não desapareceu, na verdade ele ficou mais apertado e mais forte. Se no início você teria relativa facilidade para tira-lo dali, agora pode ser bastante complicado conseguir aliviar esse ponto.

Um músculo com ponto gatilho é bastante similar a esse elástico. Quando alonga você só piora a tensão sobre ele, fazendo com que o ponto piore ou crie até outro ponto nas proximidades.

Então o que fazer? Se você percebeu que um aluno seu tem pontos gatilhos na avaliação evite usar alongamentos para começar o trabalho, precisamos primeiro soltar esses pontos.
Uso de gelo



Eu particularmente adoro usar temperaturas baixas para aliviar a dor no ponto gatilho. O gelo possui alguns efeitos interessantes que ajudam no tratamento além de dar uma sensação de alívio ao paciente.

Em geral o gelo é benéfico para seus alunos graças a sua ação fisiológica. Quem trabalha com crioterapia pode ficar à vontade para aplicar.

Porém quem trabalha com medicina chinesa provavelmente nem chega perto do gelo. Os chineses preferem usar o calor para o tratamento porque, para eles, o ponto gatilho é causado por uma estagnação de energia. E temperaturas baixas estagnariam ainda mais essa energia só piorando o quadro.

O calor também não é maléfico para o tratamento, então quem preferir pode utiliza-lo sem problemas. Tudo depende da especialidade e facilidade que cada profissional tem com certos tratamentos.
Auto liberação miofascial para tratamento de ponto gatilho



Sempre comento sobre os benefícios da liberação fascial em meus artigos e vídeos. Vocês sabem que sou um adepto dessa prática e a utilizo muito com meus pacientes.

Em casos onde precisamos tratar pontos gatilhos ela é uma ótima maneira. Podemos usar uma variedade de acessórios para isso, como o Foam Roller ou uma bolinha dura.

Minha recomendação de liberação para ponto gatilho é: pressione o ponto com uma bolinha dura (pode ser te tênis, de pets ou similares) por 30 segundos a 1 minuto. Enquanto pressiona você pode fazer também uma leve massagem circular.

Com o Foam Roller podemos fazer uma liberação similar à da bolinha, fazendo a liberação por 30 segundos e 1 minuto. Só tome cuidado para não passar o rolo sobre as articulações porque pode machucar.

DICA! Quando for liberar um ponto gatilho não insista muito no local. Se ele está muito tensionado e mesmo depois de ficar com a bolinha por 1 minuto nada adiantar deixe quieto um pouco. Não podemos ficar pressionando repetidas vezes o mesmo ponto porque pode machucar o paciente.

Se você se deparar com algum caso assim deixe o ponto e vá liberar outra região.

Também é comum que um paciente sinta dor aguda na hora de pressionar ou massagear o ponto gatilho. Nessas horas precisamos respeitar o limite de dor dele e fazer o trabalho de maneira mais leve e devagar.

. Ela é um grande aliado no tratamento. Dependendo do nosso cliente podemos até passar como “lição de casa”, mas lembre-se de olhar ele fazendo depois que você ensinar a técnica.
Acupuntura e agulhamento

Técnicas de agulhamento também são bastante populares para o tratamento de pontos gatilhos e tensão muscular.

Você sabia que a maioria dos pontos gatilhos mais comuns estão localizados em pontos de acupuntura? Isso acontece porque essas são regiões mais reativas da musculatura e mais propensas a tensão.

De acordo com a medicina chinesa a introdução de agulhas nos pontos gatilhos ajuda a equilibrar a energia que estava previamente estagnada. Podemos usar técnicas como Dry Needling (agulhamento a seco) ou similares para esse tipo de tratamento.
Depois da liberação dos pontos

Você conseguiu aliviar a tensão nos pontos gatilhos do seu paciente. E agora?

Depois do trabalho nos pontos é uma boa ideia fazer uma massagem ou alongamento leve. Preste atenção: precisa ser LEVE.

Agora que a tensão muscular está liberada o alongamento pode ser feito sem perigo, mas sem exagerar porque a musculatura pode ainda estar dolorosa e fatigada.

Se quiser aliviar ainda mais o ponto, você pode aplicar gelo no local liberado por 15 ou 20 minutos.
Prevenção

A melhor maneira de garantir que um paciente não vai sofrer com certas patologias ou dores é prevenir. Infelizmente, no caso dos pontos gatilhos nada é tão simples. Eles são influenciados por inúmeros fatores e muitos deles fora de nosso controle.

O que o profissional do movimento pode fazer é conscientizar o aluno sobre o papel que o estresse tem em sua dor, realizar correções posturais e analisar o ambiente externo que levou o aluno àquela situação.

Por exemplo, a postura que ele mantém enquanto trabalha pode ser o motivo que fez com que diversos pontos gatilhos aparecessem. Talvez situações estressantes do dia-a-dia fizeram com que ele criasse a situação de dor.

Já recomendei isso em outro artigo e falo novamente: conheça seu aluno. Esse é um ponto muito importante para acertar no tratamento e evitar que patologias e dores ressurjam.
Perguntas Frequentes

Os pontos gatilhos aparecem apenas na região muscular?

Não. Esses pontos de tensão podem acontecer sim na região muscular, mas nem sempre precisam estar nas regiões contráteis. É também muito comum encontra-los nas fáscias.

O ponto gatilho pode gerar um desequilíbrio muscular ou uma lesão?

Sim. O ponto gatilho gera uma alteração na biomecânica do movimento. Devido a essa alteração a região cria um desequilíbrio muscular que, ao longo do tempo, pode acabar se transformando numa lesão.

O ponto gatilho deve ser liberado antes ou depois da prática da atividade física?

Se a dor relacionada estiver atrapalhando o movimento prefiro fazer a liberação antes da atividade. Assim consigo aliviar a dor do meu paciente e consigo uma atividade mais eficiente.

Caso a dor não seja um problema tão grave podemos liberar o ponto gatilho no final sem problemas.

Posso fazer a liberação todos os dias?

Não é recomendado. Como a liberação também é um tipo de “agressão” o local liberado precisa de um tempo de descanso para se recuperar. Se, por exemplo, você liberou ponto gatilho no trapézio um dia, no outro você pode sim fazer a liberação, mas de outra área como o quadrado lombar. Dê um descanso de um ou dois dias pelo menos.
Conclusão



Se seu aluno sente dor muscular ele provavelmente apresenta pontos gatilhos em alguma região do corpo, talvez mais que uma. Um ponto não tratado eventualmente começará a atrapalhar seu tratamento porque ele é fonte de dor, algo que limita a movimentação.

Depois de uma avaliação eficiente você descobrirá onde estão os problemas de seu paciente e pode começar a trata-los. Existem várias maneiras para isso como, por exemplo, terapia manual.

Também é importante lembrar que nem todo ponto gatilho causa dor. Os pontos gatilhos latentes são nódulos de tensão muscular que apesar de tensionados não possuem sintomas em circunstâncias normais. Para descobrir onde estão esses nódulos será necessário apalpar cuidadosamente.

Escolha sua técnica preferida para aplicar aos pontos gatilhos, sempre prestando atenção ao limite de dor do paciente. Para alívio da dor também podemos aplicar agulhamento a seco, gelo ou calor na região, ambos têm um bom efeito fisiológico.


Fonte: www.keynerluiz.com

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